Há mais de 10 anos na corporação, o capitão-de-corveta foi punido por seus superiores com o afastamento, pois teria revelado no quartel o desejo de se submeter a uma cirurgia para mudança de sexo. O caso está sendo mantido em sigilo pela corporação, que pela primeira vez se depara com uma situação envolvendo um oficial.
HORMÔNIOS NO CORPO
O comandante, que já foi casado e tem um filho pequeno, está de licença médica. O oficial, que mora no Rio de Janeiro, foi submetido a exame médico de rotina, feito a cada dois anos pela Marinha. O resultado da avaliação chamou a atenção do departamento médico. Havia um alto índice de hormônios femininos no organismo do militar.
O comandante foi novamente chamado pelo Serviço Médico para fazer exames complementares. A suspeita inicial era que se tratava de algo provocado por distúrbio ou alimentação. Para surpresa dos superiores, o comandante confessou que era ele mesmo quem, deliberadamente, estava tomando hormônios, pois pretendia virar mulher. O militar foi encaminhado para o serviço de psiquiatria da Marinha, mas novos exames teriam revelado que ele está em perfeitas condições de saúde.
MILITAR QUER POSTO
O oficial apresentou requerimento para permanecer na ativa, ocupando posto de chefia e mantendo a mesma patente de capitão-de-corveta. Afastado de sua função na Escola Naval, o comandante aguarda resposta superior para o seu pedido.
Através de sua assessoria de imprensa, a Marinha informou que o caso está sendo analisado e que não vai se pronunciar sobre o militar no momento.
Casos de expulsão nas outras Forças
Assim como a Marinha, Exército e Aeronáutica também enfrentam ações de militares transexuais que pedem a reintegração a suas funções. O terceiro-sargento do Exército Fabiano de Barros Portela, 26 anos, mudou de sexo em março, conforme O DIA revelou. Fabiane, como prefere ser chamada após a cirurgia, tenta voltar para seu trabalho, na ala de enfermagem do 17º Batalhão Logístico de Juiz de Fora (MG). “A pessoa que se declara sofre enorme pressão para se aposentar. Mas quero continuar trabalhando normalmente”, afirma Fabiane, que na semana que vem entrará na Justiça contra a União.
A primeira transexual a obter identidade militar feminina no Brasil, a cabo da Aeronáutica Maria Luiza da Silva, 47 anos, também luta para ser admitida na FAB.
Fonte: Maria Luisa Barros, O Dia


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