Estadao
BRASÍLIA - Dois dias depois de ter declarado que a demarcação contínua de terras indígenas em região de fronteiras é uma ameaça à soberania nacional, o comandante militar da Amazônia, general Augusto Heleno, reuniu-se na sexta-feira com o ministro da Defesa, Nelson Jobim, e com o comandante do Exército, general Enzo Martins Peri para explicar as declarações. Segundo a assessoria do ministério, a reunião durou pouco mais de uma hora e o assunto foi considerado "superado".O Clube da Aeronáutica manifestou apoio ao general, e, em nota, pediu a Heleno que "não recuasse". "Estamos prontos a apoiá-lo até as últimas conseqüencias, em defesa de sua liberdade de expressão", disse, em seu site.
A assessoria informou ainda que o resultado da reunião já foi comunicado ao presidente Luiz Inácio Lula da Silva, que havia pedido explicações sobre as declarações, feitas durante a abertura do seminário Brasil, Ameaças a sua Soberania, realizado nesta semana no Clube Militar do Rio de Janeiro.
Heleno considerou uma ameaça à soberania nacional a reserva contínua de 1,7 milhão de hectares na região de fronteira e ainda disparou sobre as cerca de 600 pessoas da platéia uma frase de efeito: "Não sou da esquerda escocesa, que, atrás de um copo de uísque 12 anos, sentada na Avenida Atlântica, resolve os problemas do Brasil inteiro. Já visitei mais de 15 comunidades indígenas, estou vendo o problema do índio."
Foi como assessor da Casa Militar que o general Heleno contribuiu para o parecer dos militares contrários à demarcação da reserva ianomami. À época, o então ministro da Justiça, Jarbas Passarinho, coronel da reserva do Exército, se definiu a favor da demarcação, mas cunhou no bastidor uma frase que ficou célebre: "Acho que a demarcação não representa perigo para a soberania do País, mas, se eu estiver errado, o meu Exército me corrigirá".


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