Carolina Brígido - O Globo
BRASÍLIA - O comandante da Marinha, almirante Julio Soares de Moura Neto, disse neste sábado que o mal estar entre o governo e as Forças Armadas é assunto superado. O clima ficou pesado a partir de quarta-feira, quando o comandante militar da Amazônia, general Augusto Heleno, chamou de "caótica" a política indigenista do governo. Moura Neto afirmou que os comentários do colega não influenciaram na decisão do governo de adiar o anúncio do aumento salarial dos militares, que estava previsto para a semana passada.
- O anúncio não foi feito ainda porque há alguns pontos a serem acertados entre a Defesa e o Planejamento. Não tem nada a ver como isso (os comentários do general Heleno). Esse assunto já está superado, não há mais o que falar sobre isso. Estamos funcionando dentro da normalidade - afirmou o comandante, ao fim de uma solenidade realizada no Clube dos Fuzileiros Navais, em Brasília.
Em defesa do ponto de vista do Executivo, o almirante ressaltou que as negociações tiveram de ser retomadas com o fim da CPMF, a queda na expectativa de receita e a necessidade de fazer ajustes no orçamento de 2008.
- Nós sabemos que esses reajustes são sempre muito difíceis. Há uma negociação sendo conduzida pelo ministro da Defesa com muita correção e estão chegando a uma posição praticamente definida. Os militares estão aguardando a solução para este impasse, que não chega a ser um impasse, mãs que é uma questão que incomoda a todos. Ele sairá, eu posso garantir. Estou convicto de que o presidente da República fará este reajuste - disse.
O almirante acredita que o aumento salarial será anunciado na próxima semana, e que não será feito de forma linear. Ele explicou que patentes inferiores terão acréscimos percentuais maiores na folha de pagamento.
- O reajuste não será linear, terá pequenas diferenças, principalmente as camadas mais baixas, que terão de atingir o valor do salário mínimo. Haverá algumas diferenças, não grandes.


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